Palestra no Espaço Tom Jobim em Jardim Botânico.
Carreira - Jean Paul Gaultier nasceu em 1952, na França, nucna estudou moda ou algo do tipo. Sua inserção na moda também aconteceu graças aos seus desenhos, enviados por correio para Pierre Cardin, que ficou intrigado com o talento de um garoto de 18 anos totalmente desconhecido de Arcueil, Val-de-Marne (subúrbio no sul de Paris), e o contratou como seu assistente. Enquanto trabalhava com Cardin, o namorado de Gaultier, Francis Menuge, o encorajava a fazer sua própria linha de prèt-a-porter. Francis, que morreu em 1990 de Aids, é citado incontáveis vezes por Gaultier como o maior encorajador de seu trabalho: “Eu seria uma pessoa diferente hoje se nunca tivesse conhecido Francis”, declarou certa vez o estilista. “Foi Francis quem realmente me ‘pressionou’ para que eu começasse minha carreira, porque eu sou uma pessoa mais abstrata do que ambiciosa. Ele viu meu talento e sentiu minha paixão, e sempre me colocava pra cima quando eu ficava preguiçoso ou desmotivado. Ele jocosamente encorajou que eu construísse ‘meu império’”, contou ao “Telegraph”.
Por que não? - Assim, ao lado de Francis, juntaram dinheiro, recrutaram amigos e familiares – a prima Évelyne tricotou os suéteres, o porteiro do prédio ajudou com as costuras, e o próprio Francis fez os acessórios e cuidou das burocracias – e em 1976 Gaultier apresentou sua primeira coleção, no planetário de Paris. Eram nove modelos, que usavam vestidos feitos com jogos americanos, lonas e estofos, e jaquetas biker combinadas com tutus. As roupas eram muito sexies e espirituosas, e faziam uso de motivos icônicos da moda como a estampa toile de Jouy, jaquetas de motoqueiro e figurinos de ballet de maneiras imprevisíveis, e com materiais humildes de maneira respeitosa e reverente. E é esse espírito que tem orientado seu trabalho desde então, transmitindo sua apreciação por coisas híbridas e surpreendentes, e o que ele mesmo explica, “a questão do que é belo e do que não é”. Outra frase que exemplifica admiravelmente seu trabalho é a recorrente “Por que não?”. Gaultier diz que explica muito de suas decisões assim. Por que alguém iria vestir um tutu com uma jaqueta de motoqueiro? “Bem, por que não?”.
Listras - As indefectíveis malhas de listras ao estilo Breton é uma de suas marcas. Inspiração veio da infância pois usava quando garoto, as riscas de marinheiro. O morfismo nas roupas que se misturam com o todo.
Perfumes - É um simbolo do coselet que se iniciou por causa da minha avó que era enfermeira, curioso peguei e vi como era um espartilho de cor salmão e o brilho do cetim, perguntei a minha avó para que servia e me respondeu sobre sua rigidez e deixava o corpo “espartilhado”, dando forma cinturada. Ela bebia vinagre para contrair o abdômen , assim podia apertar os cordões. Fiz o primeiro espartilho em 1983 , era surrealista pois ia até o tornozelo , a modelo não consegua andar direito.
Um dia, a professora o pegou desenhando na sala e lhe aplicou um castigo, batendo no menino com uma régua, e depois o fez andar pela sala com o desenho preso em suas costas, para que ele se envergonhasse. O efeito foi o inverso: o desenho do pequeno Gaultier era de uma mulher apenas de sutiãs e cinta-liga, inspirada nas mulheres do espetáculo “Folies Bergère”, que ele havia visto na casa de sua avó. Ao invés de ser ridicularizado – ou disciplinado, como esperava a professora –, ele se tornou objeto de admiração entre os meninos da escola. “Foi como um passaporte. Percebi que se desenhasse as pessoas iriam sorrir”, contou em entrevista à “New Yorker”.
Madonna - No começo dos anos 80 foi chamado de “enfant terrible” da moda, título que o acompanha trinta anos depois de sua estreia, e foi um dos primeiros criadores a polemizar sobre a questão de gêneros, ao fazer saias para homens e colocar modelos masculinos em sua passarela, justificando com um “acredito na igualdade dos sexos”.
Gaultier é também um dos mais famosos estilistas fora do métier, tanto por seus perfumes, pilares que pagam as contas do nome Jean Paul Gaultier, como também pelas blusas tatuadas e as indefectíveis malhas de listras ao estilo Breton. O mais-mais nesse quesito, porém, é sua quedinha pela cultura pop, que começou em 1990, ao vestir Madonna em sua turnê “Blond Ambition” com sutiãs em formato de cone, e persiste até hoje, com o estilista fazendo figurinos para filmes, como “O Quinto Elemento”, de Luc Bresson, e “Kika”, de Pedro Almodóvar; para as turnês de Marilyn Manson e Kylie Minogue; e colocando a vocalista do “The Gossip” Beth Ditto em sua passarela, bem como a burlesca Dita Von Teese.
Brasil - Tem diferença, a indústria sabe usar o artesanato e muita criatividade jovem. Admiro muito o estilista brasileiro Francisco Costa que esta na Calvin Klein que faz coisas fantásticas.É melhor ser copiado que copiar. Todo mundo deve comprar no Brasil.A mulher brasileira tem belo corpo e uma relação do corpo que nós não temos, conheci modelos brasileiras, são sedutoras, bela, charmosas e me divirto muito com elas.
Sonho- Das pessoas em usar minhas roupas, mesmo parecendo lúdico, mas o prazer de não me enganar e ver que deu certo uma idéia em um corpo. Eu sou tímido, mas eu era mais, a roupa tem o poder de se expressar, e assim os outros criam medo, o que dar confiança e respeito, faço uma teatralização, criar clima. A moda é colorida tem ligação com a vida, a morte é preto e branco.
Processo criativo - Procura a liberdade, tenho uma memória visual muito boa e não tento esquecer de nada, tento ver tudo, pessoas e movimentos do corpo, assim vejo as necessidades que podem ocorrer, como uma nova posição de um bolso. Fico ligado ao cinema, livros, viagem eu só me preocupo em fazer roupas. Reabilitar os clássicos, tirar a rigidez, O que ocorre na sociedade, fazer o oficio da arte pela arte! É quase uma religião, tem que haver sacrifícios de muitas coisas. Deixo de ficar com as pessoas para ficar me informando e ser criativo. Para ousar tem que ser honesto, faço roupas que seria válido. Usei modelos não profissionais por serem mais baratas. Também levei a passarela diferetes modelos e conceitos que questione a sociedade, acredito que ns fraquezas ganhamos força.

Jean Paul Gaultier e Dita Von Teese e Beth Ditto ©Reprodução
Festival Rio.
Neste domingo (09/10/2011 ) O ícone da moda, estilista Jean Paul Gaultier (foto) foi na estação Botafogo para a exibição de seu documentário no Festival Rio. O filme titulado de Jean-Paul Gaultier, Quebrando as regras, dirigido por sua ex-modelo, Farida Khelfa (foto direita). Acompanhado da diretora e de Bethy Lagardère, (Foto esquerda) . O filme mostra a vida do estilista narradas por ele mesmo, com imagens de desfiles antigos, ainda jovem trabalhando com Pierre Cardin na sua maison; os comentários hilários que o próprio faz sobre o seu primeiro desfile, quando improvisou roupas com peças de palha, pois não tinha dinheiro para comprar os tecidos que precisava… Sua parceria com Madonna, revela os bastidores da criação dos figurinos do The Girlie Show, um dos maiores sucessos da carreira da cantora. Fala dos pais, que sempre deram apoio tanto ao seu trabalho como estilista quanto à sua opção por homens.
Visita ao samba.
Na noite deste sábado, 8/010/2011 Gaultier com Farida Khelfa aproveitaram a vinda ao país e fizeram presença na quadra da Mangueira. A escola de samba fez a escolha do samba-enredo da agremiação para o carnaval 2012. Também foram recebidos pela cantora Alcione e o presidente Ivo Meirelles.









